A ORIGEM DO CAVALO MODERNO


A evolução é um processo biológico que permite o aparecimento de novas espécies com modificações ou diversificações de diferentes linhagens a partir de ancestrais comuns.

O cavalo que hoje conhecemos teve origem a mais ou menos 55 milhões de anos atrás, 10 milhões de anos após a extinção dos dinossauros. Seu primeiro ancestral, chamado Hyracotherium, era um animal pequeno que vivia em florestas e pântanos. Muito diferente dos equinos da atualidade, este animal possuía apenas 30cm de altura e sua aparência era muito semelhante a de um cachorro, com dorso arqueado, pescoço e pernas curtas e uma longa cauda. Tinha a capacidade de saltar, mas não era muito ágil e sua alimentação era baseada em frutas e folhagens de árvores. Possuía 4 dedos em cada um dos membros dianteiros e 3 dedos nos traseiros.

Ao longo de milhões de anos (18 milhões de anos atrás), quando houve as grandes mudanças climáticas que varreram o mundo, o clima se tornava cada vez mais hostil e seco e as florestas foram substituídas por pastagens, então vários ramos da família dos equídeos começaram a se adaptar rapidamente a estas alterações.

Mudanças físicas ocorreram nestas espécies pela alteração da alimentação. Para sobreviver, seus ancestrais sofreram modificações adaptativas, principalmente em seus sistemas músculo-esquelético e digestório. Assim, a cabeça ficou mais longa, com olhos na parte mais alta e voltados para as laterais para dar ao cavalo uma visão mais ampla. Os dentes começaram a crescer e o cavalo começou a mastigar de maneira a possibilitar o consumo de forragem. O abdomem se expandiu para o desenvolvimento do ceco, agindo como uma grande “cuba de fermentação”, permitindo que bactérias quebrassem a celulose.

Houve um aumento gradativo no tamanho corporal e uma redução do número de dedos, que se rearranjaram formando um dedo único com cascos duros que se acomodavam em diversos tipos de terrenos. As pernas ficaram mais longas com músculos e tendões altamente eficientes, o que permitiu que os equídeos ficassem mais ágeis, possibilitando corridas e fugas em grande velocidade. Estas mudanças também foram complementadas pela diminuição do tamanho do estômago, que por comportar pouca quantidade de alimento permite realizar fugas imediatas, já que o cavalo é por natureza uma presa. É por isso que o cavalo ingere pouca quantidade de alimento várias vezes ao dia.

O tórax se tornou mais profundo, abrigando coração e pulmões grandes e vigorosos, assim como os órgãos dos sentidos que se tornaram mais aguçados para perceber a proximação dos predadores. Desta forma, naturalmente os ancestrais dos cavalos passaram a sobreviver através da convivência em grupo, pois obtinham mais sucesso do que animais isolados. Estes grupos migravam constantemente em busca de um local seguro e com disponibilidade de água e de alimento.

As espécies mais recentes dos equídeos começaram então a migrar e se diferenciar. Durante a primeira era glacial (mais ou menos 2 milhões de anos) várias espécies migraram para o Velho Mundo. Algumas entraram na África e deram origem às zebras que conhecemos atualmente. Outras espalharam-se através da África do Norte, evoluindo para espécies adaptadas às condições desérticas, enquanto outras dirigiram-se para Ásia e Europa adaptando-se a climas mais temperados. Bem mais tarde o “verdadeiro cavalo” chegou às Américas. Mas esta é uma outra história...

 

Viviane Campesato

Formada em Ciências Biológicas, Mestre em Genética e

Biologia Molecular, Doutora em Ciências pela Universidade

Federal do Rio Grande do Sul e sócia proprietária do

Centro de Treinamento e Reeducação de Cavalos Lara Hope

Seja o primeiro a avaliar!


Adicionar aos favoritos

03 abr 2018


Por Viviane Campesato
Anuncie