Alimentação do cavalo de esporte


Os equinos de uma forma geral necessitam dos mesmos nutrientes em sua dieta como água, proteína, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais. Porém devem existir variações nas quantidades destes nutrientes de acordo com alguns fatores como por exemplo a fase de vida (idade), o peso, o objetivo e/ou função do animal, bem como o manejo sanitário e reprodutivo.

Normalmente uma boa pastagem, além da água, seria suficiente para suprir as necessidades básicas dos cavalos, já que estes animais em vida livre possuem uma dieta baseada apenas na ingestão de pasto. Mas em se tratando de cavalos de esporte e trabalho, torna-se necessário o fornecimento de outros componentes nutricionais que forneçam mais energia, mantendo-os sempre saudáveis e com um bom escore corporal. Vale lembrar que comumente os cavalos destinados a competições, são mantidos em espaços reduzidos como cocheiras ou piquetes o que requer um manejo mais cuidadoso da sua alimentação.

Portanto, pode-se dizer que uma dieta bem equilibrada é composta de água e fontes de nutrientes como os chamados volumosos (pasto, capim cortado, feno e silagem), concentrados (grãos e ração) e suplementos. E é através da energia fornecida por estes nutrientes que o cavalo atleta mantém suas atividades diárias. Para cada tipo de atividade desempenhada é necessário um cálculo da base de sua dieta de preferência elaborada por profissionais habilitados como Médicos Veterinários e Zootecnistas.

Existem no mercado vários tipos de rações e suplementos destinados exclusivamente aos equinos de esporte, porém estes e outros alimentos devem ser disponibilizados considerando alguns cuidados como por exemplo:

- avaliar com frequência o peso e condição corporal dos animais visando adequar o consumo de energia necessária;

- fornecer em uma dieta total diária o equivalente de 2,5 a 3% do peso vivo de matéria seca, onde 1/3 desta dieta seja de volumoso de boa qualidade;

- disponibilizar a dieta fracionando-a em 3 a 4 vezes ao dia sempre em intervalos regulares e pontuais;

- oferecer os alimentos concentrados sempre de 30 a 60 minutos após a ingestão do volumoso e de 40 a 60 minutos antes ou depois do exercícios físicos regulares;

- alimentos volumosos e concentrados não devem ser oferecidos juntos em uma mesma refeição pois desta forma o concentrado passa rapidamente pelo trato gatrointestinal levando ao não aproveitamento desta parte da dieta, tornando sua digestão inadequada;

- manter umedecidos alimentos que sejam muito ressecados;

- no período noturno fornecer volumoso em quantidade suficiente para que o animal possa maximizar suas reservas intestinais;

- oferecer sal mineral próprio para equinos afim de repor os sais perdidos pelo suor durante os exercícios físicos;

- em dias de competição a alimentação concentrada deve ser suspensa de 4 a 5 horas antes do início da prova podendo ser oferecida depois de 30 a 60 minutos do término da mesma;

- oferecer uma fonte de água limpa e fresca à vontade nos períodos entre os treinos e em pequenas quantidades uma hora após treinos com exercícios físicos intensos;

- para competições que exijam um esforço físico maior do animal pode ser oferecida água suplementada com eletrólitos a cada 2 horas durante a competição para que o escore hidroeletrolítico dos animais seja mantido.

Lembramos que cavalos são animais de hábitos regulares, portanto quaisquer mudanças bruscas na alimentação podem alterar a sua flora intestinal causando problemas de saúde e comportamental, o que pode comprometer o seu desenvolvimento físico e a performance atlética destes animais!!!

 

 

 

Viviane Campesato

Formada em Ciências Biológicas, Mestre em Genética e

Biologia Molecular, Doutora em Ciências pela Universidade

Federal do Rio Grande do Sul e sócia proprietária do

Centro de Treinamento e Reeducação de Cavalos Lara Hope

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20 fev 2018


Por Viviane Campesato
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