Anemia Infecciosa Eqüina


A Anemia Infecciosa Eqüina (AIE) é uma doença infecto-contagiosa que atinge todos os membros da família  dos eqüídeos (cavalos, mulas e burros). É comumente conhecida como febre dos pântanos ou AIDS dos eqüinos, pelo fato de ser causada por um vírus relacionado ao vírus da Imunodeficiência Humana. Esta doença foi inicialmente diagnosticada na França no final do século passado e se disseminou pelo mundo inteiro, sendo amplamente distribuída no território brasileiro chegando a uma prevalência de mais de 50%, dependendo da região. O vírus da AIE sobrevive bem em regiões úmidas, pantanosas e onde há muitas chuva, daí a sua sazonalidade.

A principal via de transmissão da AIE é através de insetos hematófagos como moscas, mosquitos, carrapatos e piolhos, sendo os de maior tamanho como as mutucas, os vetores mais importantes. A transmissão da doença ocorre quando insetos já contaminados interrompem sua alimentação em um animal doente e reiniciam seu repasto em um animal sadio. Outras formas de contágio também podem ocorrer como pela via transplacentária, pelo leite materno (colostro) ou pelo sêmen. Mas em muitas ocasiões, o homem torna-se um agente transmissor da doença, em função do manejo inadequado dos animais. Neste caso, a transmissão pode se dar pelo uso de utensílios contaminados como embocaduras (freios, bridões), esporas e principalmente agulhas, que quando compartilhadas na aplicação de medicamentos, acabam por infectar diversos animais. É importante ressaltar que eqüídeos de todas as raças e idades são suscetíveis a este tipo de vírus, todavia os animais subnutridos, parasitados e/ou debilitados têm maior predisposição para adquirir a doença.

A Anemia Infecciosa Eqüina não tem cura e ainda não há uma vacina eficaz para esta enfermidade que pode se apresentar de forma crônica ou aguda, dependendo do período de atividade do vírus. Portanto, o vírus pode estar presente no sangue do animal sem produzir qualquer tipo de sintoma (portadores assintomáticos). Em outros casos, os sinais clínicos podem ser evidentes em torno de 15 a 60 dias após a exposição, antes mesmo do animal ser diagnosticado como positivo. Os sintomas mais comuns são febre recorrente, tosse, inapetência, respiração rápida, abatimento e fadiga, debilidade das patas, perda de peso, anemia, edemas, etc. E os órgãos mais afetados são o fígado, o baço, os rins e os pulmões. O diagnóstico é feito através do exame de sangue (sorologia) específico para AIE e bastante sensível. Por ser uma doença altamente contagiosa e  sem cura, a Anemia Infecciosa Eqüina é fatal na maioria dos casos. Como não existe tratamento a ser realizado, a legislação pertinente preconiza o sacrifício dos animais doentes, já que uma vez infectado (soropositivos), o animal torna-se um portador permanente da doença, constituindo-se numa fonte de infecção para outros eqüinos.

Portanto, controlar os vetores de transmissão da doença (insetos hematófagos), realizar a higiene de ferimentos, bem como a assepsia dos diferentes utensílios usados para que o vírus não se dissemine, manter o saneamento e a limpeza de baias e recintos onde os animais transitam, além de realizar o teste sorológico (exame de AIE) periodicamente, é a alternativa estratégica mais  segura para o controle e a erradicação da doença na sua propriedade, mantendo sua tropa sempre saudáve!

 

 

Viviane Campesato

Formada em Ciências Biológicas, Mestre em Genética e

Biologia Molecular, Doutora em Ciências pela

Universidade Federal do Rio Grande do Sul e sócia

proprietária do CTRC Lara Hope

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21 set 2017


Por Viviane Campesato
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