BREVE HISTÓRICO DO ESPORTE DOS REIS – PARTE 1


Do tempo em que os polinésios disputavam a coroa real descendo em gigantescas ondas com suas enormes e pesadas pranchas confeccionadas a partir de troncos de árvore chegando a pesar 100 kg, até hoje em dia, muitas mudanças ocorreram resultantes do progresso e evolução da tecnologia e do esporte. O surfe neste século tornou-se uma das modalidades esportivas que mais cresceu tanto ao nível nacional quanto mundial, conquistando cada vez mais adeptos de todas as idades e sexos.

No Brasil, a indústria do surfe cresceu de forma exponencial nos últimos trinta anos, onde diversos segmentos se profissionalizaram projetando o país para o posto de primeira potência mundial do esporte, já que atualmente conta com o maior esquadrão de atletas competindo na elite do surfe.

O surfe originou-se na Polinésia há mais de sete mil anos. Segundo a tradição oral polinésia, o Rei Moikeha (Tahiti) foi o primeiro a chegar ao arquipélago havaiano. Após uma exploração inicial do local, enviou seus filhos de volta ao Tahiti a fim de divulgarem as belezas locais por intermédio de uma canção conhecida hoje em dia como o “Canto de Moikeha”. Os polinésios usavam para a pesca canoas de uma espécie de fibra vegetal e assim descobriram o prazer de desfrutar das ondas. As pranchas utilizadas nesta época mediam aproximadamente 20 pés – cerca de 6 metros – e eram confeccionadas com madeira maciça e muito pesadas para serem carregadas por uma única pessoa. Tal prática ficou atrelada às raízes religiosas, artísticas e culturais deste povo, que criou diversos rituais, tornando-se assim um privilégio da nobreza a prática do surfe em pé. Os membros das castas inferiores só podiam surfar deitados. Como forma de afirmação da reputação e poder da nobreza, o surfe primitivo deu os seus primeiros passos. A habilidade em surfar gerava respeitabilidade e admiração para a população. Os nativos que se destacavam eram celebrados através de canções, danças e gozavam de privilégios. A mitologia aponta que quem dropasse a maior onda era o escolhido para desempenhar a função real, angariando simpatia e devoção de todos os súditos.

Em 1778, quando o arquipélago foi descoberto pelo capitão James Cook, da Marinha Real Britânica, o primeiro local avistado foi a Baía de Waimea, hoje palco de diversos campeonatos de ondas grandes. Segundo a história, Cook simpatizou com o padrão de vida de uma civilização primitiva, porém alegre e descontraída. Os missionários desta expedição condenaram a prática do surfe nas ilhas, pois consideravam que a importância cultural e religiosa desta modalidade na comunidade havaiana concorria com os costumes e crenças impostos pela civilização ocidental, durante a colonização. Houve um genocídio do povo nativo, que em 1780 somava uma população de cerca de 300 mil habitantes, dizimados para apenas 40 mil pessoas no início do século XX.

Neste período o surfe ficou esquecido, mas em 1907, quando os americanos George Freeth e Jack London foram morar no Havaí iniciaram um movimento para resgatar o esporte. Com a publicação do livro “A Royal Sport: Surfing in Waikiki” (London), o surfe se impulsionou e em 1908, Alexander Ford fundou o primeiro clube de surfe: “The Outtriger Canoe and Surfboard Club”.

Graças a um nativo havaiano nascido em 1890 e chamado Duke Paoa Kahanamoku, um grande entusiasta do esporte e exímio nadador, o surfe retomou sua força. Duke foi recordista mundial de natação e ganhou três medalhas de ouro e duas de prata nas quatro Olimpíadas que participou. Expandiu o surfe em 1912 para a costa leste e oeste norte-americana, em 1915 para a Austrália e divulgou o esporte em diversas regiões do planeta por onde competiu sempre proporcionando um espetáculo nas ondas. Na Europa o surfe foi introduzido em 1937 pelo inglês Jimmy Dix e no Brasil aportou só em meados da década de 50 por meio dos pilotos estrangeiros, que de passagem pela Cidade Maravilhosa desfrutavam solitariamente das ondas do Arpoador, instigando a galera local.

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03 abr 2018


Por Paulo Eduardo Antunes
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