KOXA! É BOMBA!


Nesta edição agradecemos ao precioso suporte da SDA (Surfing Division Accessories) para manter vivo este espaço do surfe. Foi uma especial honra entrevistar o recordista mundial de ondas grandes, o surfista mais casca grossa do planeta, Rodrigo “Koxa” Augusto do Espírito Santo, natural de Jundiaí e hoje local do Guarujá, que nos seus 38 anos de vida dedicou três décadas para caçar e surfar as maiores ondas dos sete mares. Não existe palavra em nosso vasto vocabulário que represente sua incrível conquista! O triunfo mais espetacular do surfe mundial de todos os tempos e somente o trinômio “amor, respeito e comprometimento”, que Koxa entoa com humilde devoção, resume e define o talento, garra e predestinação de Rodrigo Koxa, para estar na hora e lugar certos, totalmente conectado com a Natureza, plenamente focado e convicto de suas potencialidades.

Paulo: o que te motivou a optar pelo surfe de ondas gigantescas e qual foi sua maior adversidade?

K: A paixão pelo surfe e onda grande. Com 14 anos iniciei minha carreira de surfista profissional e trabalhei forte viajando para os picos com condições extremas para vivenciar o sonho de surfar ondas monstruosas. A maior dificuldade foi aprender porque morava no Guarujá, que não tem onda grande. Com 15 anos fui para Puerto Escondido, onde iniciei a surfar com prancha grande, sem leash e essa imersão sempre foi feita com muita paixão.

Paulo: você tinha em pauta esse objetivo de surfar a maior onda da história?

K: Sim! O surfista de onda grande quer pegar onda gigante e se o cara é profissional quer fazer isso para a vida dele. Na verdade, bati meu primeiro recorde em 2010, quando surfei aquela onda no Chile, que foi reconhecido pela comunidade do surfe e mídias especializadas, principalmente no Brasil, Chile e nossa região, mas não foi homologado pelo Guinness Book.  Ali, realmente acreditei que era possível. Em 2012 apareceu Nazaré para o mundo, com o Garret McNamara batendo o recorde (78 pés ou 23,8 m), aí entre 2013 e 2017, estive presente em todas as temporadas em Nazaré e superei o recorde em 8/11/2017 (80 pés ou 24,38 metros). Sempre fui muito comprometido com o que acreditava que seria pegar a maior onda do mundo, sempre acreditei, nunca almejei o recorde como prioridade e veio como efeito de um trabalho com muito amor, respeito e comprometimento.

Paulo: descreva como se desenrolou o processo para surfar esta onda épica.

K: Quando surfei a onda em Nazaré e comecei a ver as imagens dos vídeos, passou um filme na minha cabeça, de tudo que tinha feito, todas roubadas, todas as viagens bem-sucedidas, as imagens registradas, os patrocínios que tive e que me apoiaram, todos os ‘nãos' que a gente recebeu, enfim tudo fez parte, as coisas boas e ruins, tudo que vivi no surfe, então é isso, é o amor, a gente quer mesmo viver e surfar as extremas condições. O mar estava gigante, queria me superar, pois tinha passado um sério perrengue em 2014, que me causou transtorno pós-traumático e em 2015/16 fiquei trabalhando minhas melhorias, meu autodesenvolvimento e em 2017 fiz um coach e me senti pronto. Estava lá e a onda veio para mim graças a Deus, uma bênção, um presente de Deus! Uma história longa, de muito comprometimento, muito trabalho individual e em equipe e muito respeito.

Paulo: você possuía uma infraestrutura aquática para te dar suporte nos treinos e competições?

K: Estrutura faz parte, embora não tenha uma estrutura muito grande. Temos uma infra que a gente mesmo foi criando. Comprei um jet ski com o Sérgio, Vitor e Rafael em 2014, na minha segunda temporada em Nazaré, não era dos mais caros, mas um bom equipamento e a gente bateu o recorde em 2017 com um dos mais baratos, mas isso não significa nada, o que significa mesmo é a entrega, o amor que a gente tem, o trabalho em equipe, mas é preciso ter uma boa estrutura se você quer surfar onda gigante de tow in com segurança.

Paulo: no momento em que o Sérgio Cosme te rebocou você chegou a titubear ou foi com tudo?

K: Não, a gente passou uma montanha, depois outra e quando vimos a terceira que era a maior ele disse KOXA! É BOMBA!  Olhei a onda mais uma vez e falei Go! Go! Não quis olhar de novo, ele entrou embaixo dela e só olhava para minha prancha e fui com a corda, quando senti a energia da onda, só quis dar o meu melhor porque sempre acreditei que poderia surfar uma onda bem significativa, só que a gente precisa de tempo para surfar uma onda tão grande e acho que essa foi a minha vez, eu estava conectado ali e fiz todo um trabalho em cima, tinha passado um trauma e estava pronto para me superar. Fiz todo um processo mental, queria muito aquilo, sempre quis e chegou a hora, eu tinha que descer aquela onda, um triângulo gigantesco que desci reto e mudei a linha tradicional do protocolo de segurança, porque em geral, a gente desce mais de borda, mas dessa vez a onda era lisa e triangular e se eu fosse de borda iria fugir dela, então foi uma onda muito especial! Ela veio para eu descrever uma linha diferente das normalmente descritas em ondas com mais de 60 pés. A onda era monstruosa e quando puxei reto e desci eu ganhei uma velocidade incrível, absurda e foi alucinante... foi a onda da minha vida!

Não perca a segunda parte do incrível relato de Rodrigo Koxa em nossa próxima edição!

Seja o primeiro a avaliar!


Adicionar aos favoritos

27 jul 2018


Por Paulo Eduardo
Anuncie