NOSSOS CÃES NAS PRAIAS: SIM OU NÃO?


Nas últimas semanas, tenho visto muitas discussões na internet sobre levar nossos cães na praia, mostrando-se uma grande polêmica. Como sabemos, existe uma lei que proíbe cães nas praias, portanto, como cidadãos, devemos respeitar a lei, ou modificá-la através dos caminhos legais.

A lei diz que não é permitido levar cães na praia para evitar a transmissão de doenças para os seres humanos.

As principais doenças que os cães poderiam transmitir para os seres humanos através da permanência na praia, seriam: bicho do pé, bicho geográfico, micoses, sarnas, leptospirose, verminose intestinal. Para que o animal transmita alguma dessas enfermidades para o ser humano, ele obrigatoriamente precisa estar acometido desta doença.

Além das zoonoses, os cães podem ser acometidos de outras doenças como parvovirose, cimose, hepatite canina, tosse dos canis, que poderiam ser transmitidas para outros cães durante sua estadia na praia.

A doença conhecida como bicho do pé é causada por um ectoparasita denominado tunga penetrans, é uma pulga que pode ocorrer no homem, no porco e nos cães. Faz pequenas escavações na pele do hospedeiro para se abrigar e ali ficar durante o desenvolvimento dos seus ovos no interior do seu abdômen, formando assim a conhecida “bolinha” nas patas dos animais, que é o principal sintoma que observamos nos casos de infestação, além da coceira localizada.

A doença conhecida como bicho geográfico é causada pelo verme intestinal ancylostoma brazililiense, denominado também Larva Migrans Cutânea, recebe este nome por penetrar na pele e vagar sob a mesma, formando caminhos sinuosos avermelhados (eritematosos) com muita coceira local, parecidos com um mapa geográfico. Nos cães, esse parasita é encontrado no intestino, e pode causar irritações intestinais com diarréia e falta de apetite.

As micoses são causadas por diferentes tipos de fungos, entre eles o microsporum sp, o trichophyton sp e a malassezia, de modo geral, após a contaminação, aparecem manchas avermelhadas ou escuras na pele, com discreta coceira, presença de pele ressecada e crostas, perda de pelos localizada, normalmente com formas arredondadas.

A sarna que acomete os cães e que pode ser transmitida para os seres humanos, é denominada escabiose, e é causada pelo ácaro sarcoptes scabiei, causa queda de pelo generalizada nos cães, principalmente na região da barriga, axilas e virilha, mas pode acometer o corpo todo, com muita coceira e infecção bacteriana secundária. Nos seres humanos, inicia-se com pequenas bolinhas vermelhas nos braços, barriga e coxas, ou seja, nos locais onde pegamos os cães no colo. Também coça muito para os seres humanos.

A leptospirose é conhecida como a “doença do rato” pois é transmitida principalmente através da urina do rato, o agente causado é a leptospira sp. O animal quando infectado por esta doença, apresenta sintomas como vômito, febre alta, diarréia, apatia, falta de apetite, pele e mucosas amareladas. É uma enfermidade muito grave e se não for tratada corretamente o mais breve possível, pode levar ao óbito do animal. No ser humano, a sintomatologia é semelhante, causando febre, dores no corpo, vômito, indisposição, entre outros, e também é muito grave.

Em relação à polêmica sobre levar ou não levar o cão na praia, é necessário considerarmos os riscos que os cães saudáveis, bem tratados, vacinados, vermifugados, usando produtos antipulgas, irão sofrer ao irem passear na praia. Ou seja, eles podem ser vítimas destas doenças.

Outra questão é: Se o cão bem tratado, bem cuidado, vacinado, que vive dentro de casa não transmite doença em casa, ele também não irá transmitir doença na praia. Ou seja, o animal saudável não transmite doença para o ser humano.

Cães que transmitem doenças na praia, são aqueles que infelizmente, por descuido, irresponsabilidade e abandono dos donos, ficam perambulando soltos nas ruas e praias, sendo acometidos e infectados por todo tipo de doenças e parasitas. Antes de serem “vilões” nesta história, são “vítimas”. Para estes pobres animais, é necessário um conjunto de medidas por parte do poder público, como o resgate, alojamento, cuidados veterinários, castração, adoção, conscientização através de educação, e principalmente responsabilizar o mau proprietário, com multas e serviço voluntário. É importante lembrar que só existe cão solto porque existem pessoas irresponsáveis que não cuidam, que soltam e abandonam animais.

Concluindo, animais que são amados, que são bem cuidados por seus proprietários responsáveis, que são vacinados, vermifugados regularmente, higienizados e que tem controle para pulgas e carrapatos, não transmitem doenças para os seres humanos.

É muito importante ressaltar que os cães devem estar sempre na coleira e guia quando forem passear, seja na praia, no parque, no condomínio ou na rua. Coleira e guia são itens obrigatórios para termos um bom controle sobre o nosso cão. Sempre devemos recolher as fezes dos nossos cães quando passeamos na rua, praia ou qualquer que seja o local, assim podemos ter um bom convívio com os vizinhos, com a sociedade em geral e nos mostrarmos responsáveis, mantendo a cidade limpa para o bem de todos.

Como disse no início do texto, se existe uma lei, devemos como cidadãos respeitá-la, e se não concordamos com ela, temos o direito de solicitar sua alteração através dos meios legais para tal.

Penso que em breve estas alterações irão ocorrer, pois os cães atualmente fazem parte da família, ficam dentro de casa, dormem com seus donos, participam da rotina da casa e das pessoas, são medicados, vacinados, cuidados, diferentemente da situação dos animais de antigamente, que ficavam no fundo do quintal, fazendo guarda e recebendo o resto da comida, em um tempo que não se falava em vacinas, vermífugos, e cuidados de higiene,

 

Dr. Daniel G. Pohl – Médico Veterinário – Fisioterapia Veterinária – Ozonioterapia Veterinária – CRMV-SC 1704 – Fone (48) 999715141

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20 fev 2018


Por Dr. Daniel G. Pohl
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