O COMPORTAMENTO NATURAL DOS EQUINOS


Para quem trabalha com cavalos é essencial entender como o cavalo pensa, age e se coloca diante do mundo que o cerca. As características físicas e os comportamentos naturais dos equinos devem servir de base para a compreensão da criação, desenvolvimento, manejo e bem-estar destes animais e consequentemente da relação entre humanos e cavalos.

O cavalo é por natureza uma presa e como tal um animal de fuga. Seus ancestrais sofreram uma série de alterações adaptativas que potencializaram em seus descendentes a capacidade de fuga de seus predadores. Em seu estado natural, o cavalo sempre vai escolher correr de algo que ele interprete como um possível perigo ou ameaça. Por isso, os equinos possuem temperamento arisco e se assustam com facilidade. Em situações de estresse correm instintivamente entre 400 e 600 metros antes de parar para avaliar se realmente existe um perigo em potencial. Apenas quando estiverem encurralados e a fuga não for possível, é que eles poderão reagir e lutar com coices, golpes e mordidas, por exemplo. A fuga é sem dúvida, o mecanismo de autodefesa mais importante para estes animais. Primeiro eles correm para escapar do perigo, depois eles pensam e avaliam melhor a situação.

A sobrevivência do cavalo na natureza também foi muito influenciada pela convivência em grupo, pois animais isolados obtinham menor chance de sobreviver aos ataques de predadores. É por isso que os cavalos são ativos à qualquer hora do dia ou da noite. Isso permitia uma rotatividade de funções dentro do seu grupo, onde enquanto uns estavam descansando e se alimentando, outros se mantinham alertas. Em vida livre, as manadas migram constantemente em busca de um local seguro e com uma boa disponibilidade de alimentos, tendo como prioridades a segurança, seguida de conforto e interações sociais e por último a alimentação, já que o cavalo só poderá permanecer vivo se estiver seguro de predadores.

Cavalos são poupadores de energia. Sua alimentação é baseada em capim, um alimento de baixo valor energético. Por isso passam 67% de seu tempo livre se alimentando afim de ganhar energia necessária para viver, tendo sempre o cuidado de não desperdiçar a energia que leva tanto tempo para ser ingerida. Lembrando que seu estômago é relativamente pequeno, o que o obriga a ingerir pouca quantidade de alimento várias vezes ao dia.

Os equinos se comunicam muito bem através da linguagem corporal, recebendo informações de outros indivíduos de seu grupo. Muitas vezes mostram-se grandes, ativos e alertas, por meio de uma postura avançada, pescoço e cabeça erguidos, com movimentos das orelhas e dos lábios como forma de reação a diferentes estímulos do ambiente. São curiosos e ao mesmo tempo cautelosos, prontos para o galope em situações de perigo. Mas o descanso é uma grande recompensa e seu estado emocional pode ser interpretado por meio  de expressões corporais e faciais.

Quando livres os cavalos costumam realizar atividades físicas espontâneas como por exemplo rolar, deitar e esfregar o seu corpo na superfície do solo. Durante o período de interação social massageiam-se mutuamente com os lábios e leves mordiscadas que vão desde o pescoço até a garupa com a finalidade de retirar parasitas externos, sujeiras e pêlos mortos. Quando dormem, os cavalos podem permanecer em pé em um sono superficial; deitados com o peito no solo e o pescoço erguido com a ponta do focinho apoiada no chão (sono médio); ou totalmente deitados estando em completo relaxamento em um sono mais profundo. Mas isto tudo só acontece em locais nos quais eles se sintam seguros e confortáveis, caso contrário, não o farão.

Por fim, compreender o cavalo, principalmente em relação aos seus sentidos, condutas instintivas e características de ordem social deve ser sempre prioridade para que possamos melhorar o manejo geral e corrigir ou evitar problemas comuns em práticas e procedimentos de rotina.

 

 

Viviane Campesato

Formada em Ciências Biológicas, Mestre em Genética e

Biologia Molecular, Doutora em Ciências pela Universidade

Federal do Rio Grande do Sul e sócia proprietária do

Centro de Treinamento e Reeducação de Cavalos Lara Hope

 

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23 mai 2018


Por Viviane Campesato
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