SUBINDO O CAMBIRELA


O Morro do Cambirela está situado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior Unidade de Conservação de Santa Catarina, e é o ponto mais alto do município de Palhoça.

Existem divergências quanto a sua altitude máxima, alguns dizem ser acima de mil metros, outros dizem ser próximo de 900m, mas na grande maioria, acredita-se que seja em torno de 965m. Na nossa experiência chegamos próximo a esse número.

         Além de sua estonteante beleza geográfica, vegetal e grande imponência, que pode ser vista de longe, inclusive é possível avistá-lo a partir da via expressa que vai para o Sul da Ilha de Florianópolis, basta olhar à direita, o pico mais alto que se vê próximo ao litoral do continente é o Cambirela.

A montanha ficou conhecida pelo triste acidente aéreo que ocorreu em 06 de junho de 1949, matando todos os 24 ocupantes do avião. Dizem que ainda há parte dos destroços da aeronave em pontos de difícil acesso.

Mas, por outro lado, em 23 de agosto de 2013, toda a cadeia de montanhas foi novamente notícia, e desta vez, os motivos eram bons, o Cambirela amanheceu totalmente coberto de neve! Uma imagem incrível, esta imensa montanha, com seus picos tomados pela neve, e tão próximo ao mar.

         Existem algumas trilhas que levam ao topo da montanha e todas são difíceis, podendo ser perigosas para quem não as conhece, pois é fácil se perder no mato, portanto vá com um guia ou com quem conhece bem a região!

         Fui convidado pelo amigo Evandro Badin e seus parceiros de aventura – Ricardo Zanetta, Ricardo Garbelotto, Diego Mroninski, Marco Galiazzi e Leandro Costa – e durante a semana organizamos todo o equipamento – alimentação, barraca, roupas, bebidas e criamos muitas expectativas. Seria a minha terceira subida ao pico, mas a primeira vez que eu iria dormir lá em cima e ter a chance de fotografar as estrelas daquele local. Alguns parceiros estavam indo pela primeira vez, ou seja, as expectativas estavam realmente altas!

         A trilha que escolhemos é uma das que mais atraem aventureiros da região, é uma trilha muito difícil de ser percorrida e exige um ótimo preparo físico.

         Iniciamos nossa jornada às 14h de uma sexta feira, com muita vontade e bom humor, pela trilha que tem início numa picada às margens da BR 101, sendo o seu primeiro trecho, bem tranquilo, atravessando por trás de uma pedreira que pode ser vista por quem está na BR 101, mas atualmente escondida por vegetação. Após esta primeira parte da caminhada (mais ou menos 40 minutos), a trilha começa a ficar cada vez mais íngreme e daí para frente o percurso é por dentro da mata fechada, sem possibilidade de visualizar pontos de referência, num trajeto de grande inclinação, com muito esforço físico, principalmente para quem quer acampar lá em cima (nosso caso!), pois é necessário carregar uma mochila com barraca, saco de dormir, água (mínimo 2 litros por pessoa), alimentos, além de lanternas, pilhas extras, protetor solar e roupas de frio!

         A trilha tem algumas marcações em árvores e quando não existem, a melhor decisão é tomar o caminho que sobe! Mas, se for a primeira vez, vá com um guia ou com alguém que conhece o caminho!

         Após 1:30h - 2h de subida, chega-se a uma parede de pedra, onde se forma uma gruta. De lá é possível ver de forma bastante ampla, todo o visual do litoral, desde Florianópolis até a Pinheira, em Palhoça. Estamos a mais ou menos 600m de altitude e esta parada para as primeiras fotos e para recuperar o fôlego, já dá uma idéia das belezas que nos aguardam no topo!

         A última parte do trajeto é bastante íngreme e é o desafio final da trilha, que nos conduz ao topo do morro. Mas podemos garantir que, após quase três horas de muito esforço, de muita dor muscular e cansaço, a vista lá de cima compensa!

         É simplesmente fantástica!

         É possível avistar praticamente toda a Ilha de Florianópolis, Santo Amaro da Imperatriz, Palhoça, Ponta do Papagaio, todo o mar e seu horizonte e, do outro lado, grande parte das cadeias montanhosas da serra do Tabuleiro!

         Neste dia havia um denso nevoeiro abaixo da gente, que escondia a cidade e a Ilha, mas em compensação, as formas e desenhos feitos pelos raios de sol sobre as nuvens, criavam um espetáculo à parte, que ocorreu durante o lindíssimo por do sol! Ao anoitecer, foi possível vislumbrar um maravilhoso céu estrelado, onde se conseguia delimitar toda a Via Láctea e muitas constelações. Após uma bela noite de sono com muito silêncio e sossego, acordamos com um perfeito nascer do sol por trás do nevoeiro, enchendo de cores e brilhos o dia que se iniciava!

         Acompanhado de muito ar puro, sossego, belas imagens, grandes amigos e depois de repor todas as energias curtindo este local, é hora de desmontar o acampamento, recolher todo o lixo e iniciar a longa descida para casa. Mas já pensando na próxima aventura!

 

Daniel G. Pohl – Fotógrafo de natureza – www.facebook.com/danielpohlfotos

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